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Por que a Martha perdeu

Embora os democratas americanos estejam chocados com a surpreendente vulnerabilidade da cadeira de Ted Kennedy no Senado, o Leão Liberal do Senado, o observador americano Daniel Patrick Welch, que mora e escreve no estado natal dos Kennedy, não está nada impressionado. Os democratas, ridiculamente, cederam ao impulso populista da direita e, agora, vão colher o que plantaram.

(1/19/2010)

Estou cansado de esperar análises pós-eleição, nas quais bobbling heads examinam a essência do que já sabem para parecerem sábios.

Ou talvez eu seja apenas preguiçoso. De qualquer forma, chame isso de pré-morte ou de “A audácia de perder uma aposta certa”... ou algo assim.

Sim, a apuração ainda não acabou. Mas a possível, ou como alguns podem ousar dizer (eu!) iminente perda da cadeira de Ted Kennedy para um modelo republicano falso populista é tão notória, tão previsível e tão... bom, inevitável que justifica a antecipação.

O que deu errado? O que não deu errado? O Partido Democrático está tão convencido do seu lugar por direito no que gosta de reconhecer como o eleitorado de centro-esquerda dos EUA que está completamente surdo, inalcançável e autocongratulatório nas suas presunções de que os seus antigos eleitores o seguirão até a latrina da história.

O erro mais óbvio e perdoável foi presumir, com total justificativa histórica, que a disputa tinha uma conclusão previamente determinada e que o show da mídia real eram as prévias dos Democráticos. Embora razoável, essa suposição foi usada maravilhosamente nas mãos de uma oposição inteligente e antenada, que pôde retratar a candidata democrática Martha Coakley como se achasse que merecesse a cadeira, como um codicilo não-escrito no testamento de Teddy.

Os amigos da Martha vão protestar, mas não importa. Os problemas verdadeiros começaram a aumentar quando esse efeito começou a crescer como uma bola de neve. Uma liderança sem merecimento é um ponto fraco para eleitores rejeitados que perceberam que o seu amor pelos democratas não é correspondido. Um partido que parece incapaz de se opor quando está na oposição e de liderar quando está no poder é como alguém que não deve ter permissão de brincar com fósforos, a menos que adultos estejam por perto para impedi-lo.

Isso leva ao segundo grande erro. A máquina local do partido, sabendo que se encontrava com sérios problemas, suplicou à máquina nacional que mandasse a cavalaria. Um grande erro. A popularidade do Obama está em baixa, e a reputação dos democratas do congresso é ainda pior. É possível que os estrategistas democráticos simplesmente não pudessem acreditar que uma mudança tão maciça pudesse acontecer em tão pouco tempo, e que Barry, a Estrela do Rock, com sua voz de candura ainda pudesse tirá-los da parada.

As pessoas... Estão... Cheias. Não há realmente muito mais a fazer do que isso. E quanto mais tentar passar a conversa nelas para que acreditem que as coisas estão melhores quando não estão, mais elas se levantarão contra você. Judas disse a sua máxima (ou pelo menos Anthony Lloyd Webber): "Você inflamou a todos/Eles acham que encontraram o novo messias/E vão acabar com você quando acharem que você mentiu."

Não me leve a mal: Scott Brown é republicano, e pode ser que a constante reiteração desse fato atingirá os eleitores de Massachusetts na última hora, ajudando os democratas a se aproveitarem da quase esmagadora vantagem que têm no estado. Mas o partido nacional rapidamente se permitiu ser algo diferente do que os eleitores queriam em 2008; se você não consegue corresponder às expectativas, não pode esperar lealdade.

Os assessores de Obama, em particular, parecem não perceber a fúria que está agitando o povo comum. As pessoas estão magoadas, estão assustadas, estão com raiva, e a postura de pessoa bacaninha do Obama se desgastou rápido. Não será preciso um ano para se descobrir que a mesma conversa fiada neoliberal não funcionará. E não ajuda o fato de ele ter mantido alguns dos mesmos lacaios, designados nas mesmas políticas domésticas e internacionais, e fingir que é cauteloso demais, mesmo que simbolicamente. Não me surpreenderia se a gota de água para alguns eleitores foi Obama ter nomeado recentemente George W. Bush para ajudar a liderar um esforço de socorro para o Haiti.

Mas vamos voltar a Massachusetts e à Martha Coakley. Como residente de longa data, sei bem que a “solução” de Massachusetts para a saúde não é o programa freneticamente popular como as elites gostam de fazer que ele pareça. Obama, na realidade, revelou que o programa seria improdutivo quando estava em campanha aqui nas prévias de 2008: "De certa forma, acho difícil acreditar que os pobres não têm seguro de saúde simplesmente porque não os obrigaram a contratar ainda." Mas mesmo assim, é exatamente esse conceito freneticamente impopular que foi tecido no socorro ao seguro de saúde aprovado pelo setor que agora efervesce entre as prioridades do congresso. Minha esposa e eu pagamos US$ 10.000 por ano de seguro para apenas nós dois, e isso não é nada incomum. Elas podem não girar nos círculos de poder, mas muitas pessoas que conheço pagam as multas em vez de comprar o seguro, elas não têm escolha.

Trabalhadores, pessoas pobres, estão com muita, muita raiva e, simplesmente, elas não acham que salvar esta legislação medíocre é uma razão para ir às urnas em um dia coberto de neve de janeiro. E quanto aos progressistas do povo, de quem é o poder alardeado que supostamente catapultou Obama até a presidência? Embora tenham engolido seu best seller, Audacity of Hope, eles não estão na fila de pedidos da continuação, A Audácia de Jogar Bombas e Acabar com Todo Mundo para seu Próprio Bem. Os democratas estupidamente desperdiçaram uma incrível oportunidade. A paixão populista ainda é muito real, mas eles renunciaram a ela pelo direito de um dos piores desempenhos na história politicamente moderna. Se quiserem salvar o seu partido, será melhor darem uma guinada muito mais radical... e rápida. A história não espera.

© 2010 Daniel Patrick Welch. Concedida permissão de impressão com inclusão de crédito e link para danielpwelch.com.
Traduzido por Emilia Carneiro

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Daniel P. Welch mora e escreve em Salem, Massachusetts, EUA, com sua esposa, Julia Nambalirwa-Lugudde. Juntos, eles operam The Greenhouse School. Escritor, cantor, lingüista e ativista, ele apareceu na rádio [entrevista disponível aqui] e também pode estar disponível para futuras entrevistas. Artigos passados e traduções estão disponíveis em danielpwelch.com. Links ao site são bem-vindos